sexta-feira, 10 de abril de 2015

Briga pelo pirão: Em casa que não tem muito, todos brigam e todos têm razão. O Brasil está brigando de ponta a ponta.


'Desce, pirãozinho sem carne danado'!

Estamos em crise no Brasil. Dilma é o nome da crise. Ela tem a cara carrancuda, para quem todos torcem o nariz e todos cruzam os braços. Ela também é malvada e gosta de esconder a verdade - o que no linguajar popular se conhece por mentirosa. É assim que as pesquisas a apontam.
Pois tudo isto está repercutindo e se ramificando feito câncer pelo Brasil. As fontes de arrecadação de estados e municípios estão secando. O setor produtivo cansou de pagar impostos e taxas. Por isso, corta investimentos. As obras federais também pararam. Por isso, demissões em massa em lugares que acreditavam ser o próprio paraíso. Pés e cabeças esticados ficaram mais longos que os tradicionais cobertores. Não se trata mais de cobrir os pés e descobrir a cabeça. Já aparece até o bucho (vazio). Quem tem mais garganta e ousadia grita primeiro e mais alto. É o que fazem muitos. Quem estava acostumado a comer sozinho, grita mais ainda. Numa casa há sempre aquele menino mais voraz, que chora alto e chora antes para comer mais e comer só. Pois ele nunca muda, nem velho. Não quer saber se o irmão mais novo, mais fraco ou doente está com fome. A lógica é: 'Pirão pouco, primeiro o meu'.
O problema é que a carne acabou faz tempo e o pirão está se esgotando em todas as partes do Brasil. Quem hoje sorrir da desgraça alheira, da briga na casa dos outros, talvez não entenda de crise. Seria o caso de fazer o teste e. como aqueles gatinhos 'safados', ousar pedir um pouquinho de pirão na casa do falastrão da outra rua ou esquina.
Vou aqui lembrar novamente uma passagem de 200 anos atrás, no Ceará. Uma viúva era mãe de filho único e casou com um viúvo pai de dois meninos, todos da mesma faixa etária. Era seca. A farinha era pouca e a carne o restinho do último boi do cercado. Para economizar, a viúva levava de pouquinho ao fogo. Depois fazia o pirão para render.
Para o filho, colocava só pirão. Para os filhos do viúvo e marido, colocava um pedaço de carne para cada um. O filho da viúva era treinado para chorar sem dizer nada. O viúvo perguntava porque o enteado chorava. Ele apontava para o pirão sem carne e dizia gemendo: "Desce, pirãozinho sem carne danado!" A mãe exclamava: "Esqueci de colocar carne para meu filho!". Nesta hora, os dois filhos do viúvo davam cada um metade da carne ao chorão e ele ficava com um inteiro, contra metade dos que foram caridosos com ele. Essa estória é verdadeira. Meu avô paterno que contava, repetindo o que ouvira de seus avós sobre seca prolongada de dois séculos atrás.
Em todas as partes do Brasil isto está acontecendo sob Dilma, de uma forma ou de outra. As pessoas estão brigando por tudo sem se dar conta que o pirão está acabando e a carne agora é produto de luxo, coisa da Friboi que o PT incrementou com verba do BNDES. Muita gente parou de trabalhar achando que é dever de poucos sustentar pançudos barbudos. Foram estimulados a isso por um governo corrupto e perdulário. Quem já era mal acostumado e da alta sociedade, se sentiu no direito de querer ainda mais sem produzir, sem merecer. Faltou para todos.
O fato é lamentável. Mas quem quiser comer o pirão dos outros e não tiver coragem de plantar a mandioca do seu próprio pirão pode ficar com as costelas descobertas. Mas que isto não resulte em brigas, bate-boca público, ameaças, indiretas, baixaria. Isso é muito feio. Se for por aí, com tanta deselegância, a frase secular vai mudar: 'Em casa que não tem pirão, todos brigam e ninguém tem razão'.

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