quarta-feira, 25 de março de 2015

Chuva em Araripina: A mais intensa já vista pelo editor do Meu Araripe. Foi apenas 1 hora. Mais 20 minutos seria desastre na cidade.



Veja a intensidade da chuva na madrugada. O imagem é de água caindo do telhado.


Bairro Zé Martins alagado; BR 316 sendo lavada em vários pontos, sobretudo nas imediações da Loja Melo; Bairro Universitário debaixo d'água em boa parte; Bairro Cavalete com casas alagadas. Apenas uma hora de chuva provou que muito se errou na expansão da cidade de Araripina. O Plano Diretor não foi obedecido. A conta está sendo apresentada por São Pedro.É hora de socorrer as vítimas e mostrar solidariedade. Muita ajuda e compaixão nesta hora de dor e sofrimento. O debate sobre os erros e soluções deve ser feito, om seriedade, logo após o socorro às vítimas do momento, para evitar que no futuro outras paguem o mesmo preço, sofrendo da mesma forma ou ainda pior.
É hora de decidir: Construtora não manda na cidade; lucro de bancos e construtoras não definem (des) ordenamento urbano; Plano Diretor é para ser obedecido. Basta!.





As imagens acima são do Bairro Zé Martins, alagado na sua parte mais antiga.

A cachoeira não chegou a jorrar, e isto é bom, visto por um ângulo. Quer dizer que o açude feito à montante por terceiros impediu problemas mais sérios no centro da cidade e bairros novos construídos  às margens do riacho São Pedro. E isso é ruim, pois o nível do riacho, à altura da Ponte na rua José Barreto de Souza Sombra foi assustador. E isso é pior ainda, pois ventila-se a hipótese de construir parque, tipo academia das cidades, nas vazantes de seu Valdemiro Lacerda. E isso é muito pior ainda, pois para que um parque seja construído, necessário será definir um leito para o riacho, com taludes cortando a reserva, represando enchentes e promovendo lentidão ao longo do curso do riacho artificial, o que resultará em represamento antes da ponte, esta vista no primeiro vídeo.
Que esta chuva sirva de alerta, pois ninguém quis ouvir anos atrás quando começaram a construir um lar para idosos às margens do riacho, antes da estreita ponte que liga o centro ao Bairro Alto da Boa Vista. Vejam as imagens no primeiro vídeo. O lar de idosos é aquele prédio de muro azul à direita do do riacho transbordando.Ali, exatamente ali, é onde o problema é mais sério com enxurrada mais forte, visto que a estreita ponte não é suficiente para a passagem de água que venha ao mesmo tempo da Cachoeira e da BR 316, passando pelo bairro Universitário.
O transbordamento ainda não se deu como poderia ter ocorrido caso a chuva durasse mais 20 minutos, o que daria tempo para juntar água vinda da Cachoeira e água vinda da BR 316, onde aterramentos cobriram antiga lagoa que durante décadas conteve as enchentes na regão do Bairro Universitário.
Vejam o vídeo e percebam que menos de meio metro é o que resta para a água lavar a ponte. Se isto chegar a ocorrer, o lar geriátrico será inundado, assim como dezenas de casas que ficam à montante.



A chuva de hoje foi acompanhada pelo blog do começo ao fim. Teve início às 4:05h e terminou às 5:10h. Foi a mais grossa que o editor do Meu Araripe tem conhecimento, pelo menos durante seus 40 minutos iniciais. Pessoas de muita idade também relatam que nunca viram chuva tão forte, embora curta.
Isto quer dizer muita coisa em relação à drenagem de Araripina. Quer dizer que as intervenções nas partes íngremes após a Perimetral precisam ser repensadas. Aquela região, pelo Plano Diretor, apresenta restrições às edificações. Nada foi observado e a força das águas está provando que todo erro contra a natureza tem seu preço. Um muro de contenção lá erguido precisa urgentemente ser revisto, retirado. Se ele desabar, todo riacho será assoreado e isto tem um preço muito alto.
A prefeitura precisa tomar providências. Decretar estado de calamidade pública e exigir que obras equivocadas como o muro de contenção da Perimetral seja retirado é uma das primeiras medidas. Toda aquela terra artificialmente posta precisa ser removida. É só o começo. Obedecer o Plano Diretor para adotar formas de ocupação naquela parte íngreme de Araripina, sentido dos arruamentos, uso de apenas 25% de cada lote para construção, entre outras providências, tudo urge. Resumindo, obedecer a Lei, para que os problemas atuais sejam o que de mais sério pode ocorrer.
As primeiras notícias dão conta de que a chuva foi de 80 milímetros. Isto quer dizer que seria uma catástrofe se durasse duas horas dentro da cidade. Isto quer dizer que aqueles que irresponsavelmente tomaram o curso das águas, ou permitiram que isto ocorresse, terão muito tempo para se arrepender da ousadia.

SOCORRO ÀS VÍTIMAS
Antes de pensar no que fazer com paredes e ruas, necessário se faz pensar nas famílias atingidas. É hora de ser solidário. É hora de ser generoso. Depois, quando a água baixar, é tempo de ser duro no quesito urbanismo. O cabresto não pode ser tão longo quanto o foi nas duas últimas décadas.







MURO DA INSENSATEZ DANIFICA A JOVEM PERIMETRAL




Este muro de elevação do nível de um terreno situado numa Zona Especial de Ocupação Controlada - ZEOC, bem definida no Plano Diretor do município, onde cada metro quadrado edificado requer outros quatro metros para área de infiltração, bem às margens da perimetral, indica bem o avanço do interesse privado sobre o público em Araripina. O antigo Código de Postura do município, integralmente absorvido pelo plano diretor, já impedia qualquer edificação a menos de 10 metros da referida perimetral. Este muro da insensatez subiu rápido, não só descumprindo o recuo obrigatório, mas sobretudo criando um nível bem acima daquele natural. São Pedro não gostou. Não poderia gostar. Logo aí, à beira do riacho que leva o seu nome, comprometendo a perimetral tão cara e importante, tinha que ser castigado. Que o resto do castigo venha da prefeitura, por meio de decreto, dando prazo curto, em tempo firme, para sua inteira remoção.

OUTRO MURO NO LUGAR ERRADO QUE SÃO PEDO ORDENOU QUE SAIA

Este muro esta(va) no lugar errado. Aí, exatamente aí, é lugar de passagem da água que desce da Serra da Torre, via Canastra, passando ali pelas velhas boeiras na BR 316, onde Pedro Lacerda cultivou por longos anos um florido e farto pomar que ia da Avenida Florentino até as imediações da AVEL. Um problema causado pelo homem levou uma mulher a acreditar que passagem de água por aí nunca existiu. Errou feio. O muro caiu. Mais atrás, onde aterraram a lagoa que estabilizava as cheias, entre a Loja Melo e o novo Hotel Portal da Cidade, casas à jusante perderam seus muros e certamente muitos móveis. A velha boeira onde já morou uma mudinha simpática foi barrada também, Não tendo por onde passar, a água lavou a pista da BR 316. Sorte que só durou uma hora a chuva.
Ninguém quer saber. Mas exatamente no lugar em que está este muro e outras construções, nascendo na BR 316 e findando na Boca da Mata, existe uma Área de Preservação Ambiental,  criada pelo Plano Diretor. Ela passa pela antiga roça de seu Valdemiro Lacerda, mas antes entra Cachoeira à dentro e vai bater na PE 575, altura daquela ponte que antes servia de lazer para muitos que topavam pular de ponta nas águas limpas que por lá corria.
A cachoeira, sabemos, secou. Não secou. Na verdade, foi barrada. Por quem? Com ordem de quem? Com inspeção de quem? Com projeto e cálculos de quem? Quando?
Mapas de satélite podem sinalizar se o barramento está em lugar adequado e construído de forma segura. Um amplo debate pode dizer se este barramento vai ficar por lá para a eternidade ou se deve ser removido para que a cachoeira volte a ser um 'direito à paisagem' de todos.

RESPOSTA DA PREFEITURA
Em contato com a assessoria de imprensa da Prefeitura de Araripina, pedi um resumo das ações emergenciais. A pronta resposta foi a que segue:
Mobilização da equipe de quatro secretarias para atender os desabrigados;
Alimentação para quem ficou sem condições;
Deslocamento do prefeito vindo do Recife com a equipe da Guarda Civil;
Avaliação para decretar Situação de Emergência ou Calamidade(Jurídico);
Mobilização da imprensa regional para mostrar a gravidade;
Articulação para campanha de donativos com a sociedade.

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