sábado, 28 de março de 2015

A esperteza do bode



Foto de Acássio Lacerda (facebook)

Há ovelhas na paisagem. Há casa caída também. Mas quem marca a cena é o bode em cima da parede da velha casa que caiu. Ele está de cambão no pescoço, bem peculiar por estas bandas de Sertão, prova de que não fica contente com pouca coisa, muito menos ao ver o quintal do vizinho com pasto verde, mais suculento do que o seu.
Pode ter certeza de que ao lado dessa casa que caiu apareceu outra novinha e bem melhor.  O sertanejo é assim, bem ao estilo do bode que não espera tempo bom e encara até avelós, mas não se entrega.
A foto serve para ilustrar o momento que vivemos, em que o verde surge forte e a dor dos que perderam seus bens com as fortes chuvas também é forte. Forte como o povo daqui, que certamente vai se recuperar do baque sofrido e, de preferência, fazendo uma casa nova mais ao lado, mas nunca no mesmo lugar por onde a água quer passar todo santo ano.
O bode deveria ser o símbolo do povo sertanejo. Bem melhor que a foto do mandacaru, que só espinhos mostra, ou de Lampião, que lembra violência.

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