terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Torneira seca; fila longa nos bancos, correios e hospital; trânsito caótico no centro. De quem é a culpa?


Araripina em fotos, ontem e hoje. Uma forma de mostrar que as soluções são outras e urgentes.


Matagal ao redor da matriz, no nascedouro. Quantas cidades polo ficaram para trás?


Cidade nova que surgiu além da Perimetral. Não é demérito algum ser menor que o novo Alto da Boa Vista na região em que vivemos. Na verdade, muitas cidades à beira da BR 316 são menores até mesmo que a artéria à direita da foto, separada pelo matagal, onde mais de 800 novas casas surgiram.


O gesto com o dedo é só uma coincidência captada pelo satélite. Mas muita gente tem esse desejo contido, sobretudo nos bancos, nos hospitais, na frente das torneiras etc.

Araripina vivencia o que podemos classificar de explosão demográfica. Basta percorrer a cidade pelas suas extremidades e levar o pensamento a cinco anos atrás. Tudo mudou, tudo se expandiu. Se fosse um bolo, seria fofo e não liso. Melhor que circular a cidade é reparar foto de satélite. Se fosse uma corrida para saber quem mais se expande para os lados, a concorrência estaria longe de alcançar a capital do gesso. Leia-se por concorrência as cidades de Ouricuri (cidade mãe), Salgueiro (cidade que foi polo solitário), Serra Talhada, Arcoverde e Pesqueira. Basta ver a evolução populacional de cada uma. Basta ver os gráficos de consumo de energia. Basta ver a evolução no quantitativo de 'boletos' de cobrança de água e luz. Ou, se for o caso, se dirigir a cada setor de tributos das respectivas cidades e pedir dados atuais e de dez anos atrás refletindo com exatidão o número de empresas de todos os setores abertas e em funcionamento. Se fosse uma guerra seria um massacre, se considerarmos que Araripina só completará cem anos em 2028 (ver abaixo postagem sobre o centenário) e que as concorrentes, todas, já comemoraram sem tantos motivos seus respectivos centenários. Nada aqui se trata de bairrismo, apenas constatação do obvio.

Acontece que o rápido crescimento de Araripina está gerando dois problemas: Desordem urbana e negligência na oferta dos serviços públicos. A cidade cresce para depois informar que cresceu ao órgão competente. Ou seja: Constrói-se uma casa com uma calçada 50 centímetros acima do piso da rua e só depois a prefeitura toma conhecimento. A mesma casa liga água de chuva no tubo de coleta de esgoto - quando chove, estoura. Constrói-se um bairro novo e só depois de habitado se chega à Compesa para certificar-se de que ela vai fornecer água e esgoto. Óbvio que nada disso chegará razoavelmente. A cidade cresce mais para o lado alto. A Compesa construiu seu sistema de tratamento e distribuição bem abaixo dessa cota. Resultado: O povo foi para onde a água (pouca) nunca chegará, se mantido o sistema precário como está. Mas isso ninguém debate. Interessa a muita gente não discutir isso com profundidade e o mínimo de seriedade. Investir em abastecimento em bairros periféricos não garante retorno, muito menos rápido. Sem contar que, a Adutora do Oeste, tão sonhada e conquistada, passou a servir a dezenas de vilarejos antes fora do planejamento. Mais que isso, a Compesa sempre privilegia Ouricuri, onde a água chega primeiro e onde estão os chefes que decidem no âmbito regional. A primeira luta seria equilibrar o jogo e fazer prevalecer a população de cada cidade, e também o número de indústrias que consomem de forma diferenciada. Em seguida, lutar para captar no Canal de Transposição, ampliando a oferta urgentemente.

A cidade matricula cetenas de carros novos por ano e recebe gente flutuante, sobre rodas, cada vez mais, sempre em função dos serviços bancários, dos serviços e do comércio atrativo para quem mora na vizinhança mais próxima. Resultado disso é inchaço, falta de espaço, falta de estacionamento, falta de segurança para o pedestre. Algumas soluções a longo prazo existem. Mas é preciso mexer com muitos interesses. É preciso picareta na mão e segurança ao lado. É preciso usar a lei e ser duro enquanto gestor. Alexandre Arraes precisa se desfazer do seu habitual 'fino trato' e partir para o 'sai da frente' que atrás vem gente, e resolver essa parte que só a ele compete em relação ao trânsito no centro e imediações.

Mirem nos bancos. Contem as horas que esperam nas filas, o tempo que leva para cada operação bancária nos caixas eletrônicos. É assunto para paleontologia os caixas ainda utilizados, sobretudo na Caixa Econômica Federal. Mas ninguém aparece para multar. Sequer para apresentar projeto de Lei municipal estabelecendo tempo máximo de espera nas filas de bancos e correios. E não pensem que desagradarão funcionários amigos falando isso. Eles também não aguentam a carga sob seus ombros muito menos as queixas frequentes. Melhor para todos, e para eles em particular, é dobrar o efetivo de funcionários e modernizar os terminais. Dinheiro não é problema. Os bancos nadam em bilhões de lucros todos os anos. Basta dizer que o Bradesco vale mais que a Petrobras.

Outra conta debitada aos políticos. Todos eles. O Hospital Santa Maria, único de portas abertas sempre, a qualquer hora, continua sem ter seus serviços contratados pelo Estado. Culpa de Raimundo Pimentel que foi deputado por longos doze anos. Culpa de Lula Sampaio que como prefeito, e com anuência de Raimundo Pimentel, assinou documento transferindo para o Hospital Regional de Ouricuri a gestão da saúde regional via consórcio, obrigando os araripinenses a recorrerem ao regional daquela cidade vizinhas até para nascer, fazendo surgir a 'esperança' de voltarmos a ser São Gonçalo. E culpa do atual prefeito, Alexandre Arraes, que ainda não conseguiu se livrar do abacaxi - por enquanto, só a promessa de Paulo Câmara de vir à cidade ver de perto e apresentar o primeiro conjunto de soluções para O HMSM e para a saúde como um todo (Desde que não acredite no conto do vigário e aposte em construir nova estrutura para a qual não dispõe de dinheiro para fazer funcionar).
Araripina cresce a apresenta problemas decorrentes disso. Contudo, o drama maior  não está no conjunto de problemas, mas na falta de debate aberto e franco. Sem isto, não virá solução. Interessa a muita gente que tudo continue como está. A quem?
O ritmo de crescimento de Araripina é chinês. Deve sair da frente quem anda a passo de cágado e diz que não há solução para os problemas.

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