sábado, 31 de janeiro de 2015

Valmir Filho disputa com o coringa

Enquanto Raimundo Pimentel conhece o 'adversário' dentro do próprio grupo, que é a esposa, o médico Valmir Filho não conhece mais o seu rival no grupo de situação, depois que o ex-prefeito Bringel trombou com o prefeito Alexandre. Um blog da cidade, com fontes confiáveis no gabinete principal da prefeitura, articula um nome e a este chama de coringa, traçando paralelo com a eleição de Paulo Câmara. Daqui para outubro o coringa terá que colocar a cara e se filiar a algum partido. Só a partir daí o atual vice-prefeito terá com quem duelar no seu grupo. Ironia mesmo seria o coringa dormir no mesmo quarto, na mesma cama de Valmir Filho e atender pelo nome de Dra. Carla. Neste caso os dois médicos teriam que superar suas esposas para travarem a batalha final.
Tem mais médico na pré-disputa pela prefeitura: Dr. Aluísio Coelho. Por falar nisso, ele  é casado com uma médica. Também haverá disputa por indicação nesse quarto?
Se houver briga será de travesseiro. Dói não.

2016: Casal não disputa

Ouvindo os aliados de primeira hora de Raimundo Pimentel, não resta dúvida de que o candidato a prefeito do grupo é ele. Ouvindo o tipo de verbo que o mesmo vem fazendo uso nas emissoras de rádio, menos dúvidas fica ainda. Mas não é isto o que uma parte quer, sobretudo aquela mais ligada por laços de sangue à médica e agora deputada Socorro Pimentel. Mesmo sabendo que tanto ela quanto Raimundo perderão as bases e o discurso para reconquistar cadeira na Assembleia Legislativa caso haja abandono ou tentativa de abandono do mandato em troca pela prefeitura de Araripina, essa ala prefere a doutora ao doutor. O certo é que casal não disputa eleição, sequer registra chapa. Um terá que ceder. Uma disputa muda que já foi com Lula Sampaio agora não sai mais da mesma casa. Na verdade, se de fato existir como pregam os próprios aliados, é dentro do quarto de casal. Talvez por isso, mais fácil de resolver. Ou não.

Alexandre Arraes: 'Águas dormentes' à jusante na política regional


Referindo-se a cursos d'água seria no mínimo estranho falar de água dormente à jusante. Dormentes são as águas represadas, paradas, sejam muitas ou poucas, desde que antes da parede de barramento ou em lagos sem sangradouros, coisa do gênero. Portanto, água dormente está à montante, ou antes da parede de barramento, e nunca quando deveria descambar para o mar, jusante.
 O palavrório acima tem o fito apenas de situar o leitor mais desacostumado com  temas hídricos, para engatar no político.
Acontece que Araripina vive uma situação sui generis, tendo um prefeito que trabalha conforme - ou perto - do que foi prometido em palanque mas padece para manter perto de si a base aliada, ou pelo menos aquela ala que detém o poder de comunicação.  Que Alexandre Arraes, em termos administrativos, é um grande lago (de obras) sem correnteza (eleitoral) à jusante do seu grupo em Araripina isto ficou provado na eleição passada, quando sua esposa Roberta foi largada à própria sorte na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa. 
Abertas as urnas, confirmou-se apenas o que boa parte do QG da conspiração já previa: Roberta Arraes derrotada em Araripina, e diga-se de passagem, derrotada pelo próprio grupo, ou parte dele, haja vista que sua adversária na disputa, que saiu-se majoritária, praticamente abdicou do direito de fazer campanha na reta final, sobretudo no dia da votação. 
A situação é mesmo sui generis e disso poucos usam  argumentos convincentes para discordar. 
Perguntado se o prefeito trabalhou, a resposta de qualquer um é SIM. Perguntado quais as principais obras, todos sabem citar várias: Perimetral, estrada do aeroporto, Hortigranjeiro (reformas), estrada de Rancharia, de Nascente,  Escola Técnica, muitos poços, muitos bairros calçados ou sendo asfaltados, sistemas de abastecimento, muitas escolas nucleadas, postos de saúde reformados e ampliados, muitas quadras esportivas. A lista é grande e entre os ex-prefeitos, apenas Valmir Lacerda chega no jogo com cartas na mesa para uma boa disputa. Do ponto de vista de equilíbrio entre compras e pagamentos, há que se questionar algo após a eleição, quando o fluxo sofreu alterações, com mais gastos e retração de receitas. Mas esta é uma situação alastrada por todo Pais e com a qual Araripina já se acostumou nos últimos anos. Não seria motivo, portanto, para aliados de peso, com suas contas e tamanho em dia na prefeitura, espernearem e usarem experiência polícia e força nas bases para estancar, represar, ou como diz o título da postagem, fazer de Alexandre Arraes 'água dormente' .


AS JUSTIFICATIVAS
São poucas as opões de argumentos para explicar o quase inexplicável, quando o tema é popularidade ou força política de Alexandre Arraes. A cadeira do prefeito, que não tem mais direito à reeleição, pode simplificar a tarefa. Muitos argumentam que parte do motivo está na escolha do secretariado, mas esse é composto, basicamente, por gente ligada aos 'expoentes políticos' descontentes e que assopram o chamado fogo amigo. Basta exercitar a curiosidade para ver que aqueles que menos ou nada indicaram para a equipe de Alexandre Arraes são justamente os que menos se importam com suas escolhas. 
Provavelmente, ou quase certamente, o que está causando o represamento no curso da água política de Alexandre Arraes é a pouca perspectiva de espaço no seu grupo. Muitos querem disputar a prefeitura com apoio do prefeito, mas ele só tem direito a uma indicação. Esta ainda não foi feita, o que leva muitos a puxarem o freio de mão quando instados a defender o legado do gestor municipal. 
Outro ponto de estrangulamento é a constatação de que aquele que perder a disputa interna pela cadeira de prefeito não terá outra opção de destaque, visto que Roberta Arraes deverá assumir a cadeira de deputado na Assembleia Legislativa e por isso disputar a reeleição, enquanto Alexandre Arraes sonha com uma cadeira na Câmara Federal. 
Quem traçou projeto político tão audacioso já morreu em trágico acidente aéreo. Muito provavelmente Roberta Arraes teria sido eleita com vida de Eduardo Campos. Ele planejou tudo e veio pessoalmente, logo no início da campanha, inflar o balão da comadre. Alexandre Arraes trabalhava com outras variáveis, não estas. 
Também alguém poderá afirmar que os pretendentes a comandante do grupo viram na morte de Eduardo Campos uma chance de minar e liquidar Alexandre Arraes. É. Pode ser. O que ninguém combinou foi o nome do substituto nem a sua origem ou compromisso com Araripina. 
O Brasil não tem mais Eduardo Campos. Pernambuco ainda chora a sua morte. Resta a Alexandre Arraes minimizar a perda e adaptar sua rota. Ou não. Mas se decidir peitar as forças oponentes empunhando as mesmas bandeiras e almejando os mesmos espaços, não poderá entrar na guerra contando com soldados que lhe apontam armas pelas costas. Ou os converte, ou os dispensa. Bolo que demora muito tempo no forno queima as bordas e até o miolo. 
As águas dormentes de Alexandre Arraes, que se calcula pelas obras realizadas, podem até ser muitas e voltar a percorrer com velocidade a correnteza. Mas da forma que está, sem saber a direção a tomar, pode sumir na loca e o resto evaporar com o passar dos meses, considerado esse escaldante verão no seu grupo de origem. Sem saber a direção fica na minha conta. O prefeito pode saber e está guardando para hora melhor de externar, até como forma de testar a fidelidade da tropa.
A decisão é dele. Só dele. A decisão de escolher trabalhar com os fiéis e reconquistar os insatisfeitos, a decisão de sinalizar com quem marchará na disputa pela prefeitura em 2016, a decisão de descartar parte do grupo se dele estiver saturado, a decisão de chamar mais gente nova e de fora para repor peças....
Enfim, fazer política e transformar água dormente em água corrente, ladeira abaixo. Alexandre não tem mais dois anos para fazer isto. Na verdade, em outubro próximo a geografia política estará quase definida com o fim do prazo para filiação partidária.  Duas alternativas se apresentam: 1) Alexandre sairá fortalecido da prefeitura, com um sucessor confiável e um grupo forte para alavancar suas campanhas. 2) Nada mudará e Alexandre será apenas um ex-prefeito com poucos amigos, cuja missão será, fora da cadeira que ora ocupa, pavimentar a releição da esposa. Tudo é possível.  O que está provado é que trabalhar muito não resolve por si só. O 'solvente' que traz homogeneidade à massa  atende pelo nome de política.