segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Quando um grupo quer perder se divide por nada


Para se dividir, quando algumas da partes acha que é chegada a hora, um grupo político faz qualquer coisa. Não deve ser este o caso do grupo governista de Araripina, que na última eleição não foi majoritário em virtude das inúmeras divisões internas. Diga-se de passagem: Não foi majoritário porque não poderia ser em certas disputas, como a nacional; Não foi nas proporcionais  porque abdicou do direito de ser - se é que isto existe.
Araripina está indicando um cenário complicadíssimo para 2016. De um lado, o prefeito Alexandre Arraes não tem direito à reeleição, o que abre o terreiro para lutas até de capoeira em busca da indicação à cabeça de chapa. De outro lado, a deputada Socorro Pimentel, que saiu majoritária, ainda não resolveu dentro de casa se aposenta um esposo tão moço (na política), e sai ela mesma a candidata a prefeita de Araripina, correndo dois riscos - o de ganhar e largar as bases que foi do esposo à 'fome' dos concorrentes, inclusive de Roberta Arraes, que à esta altura já deverá ser titular do mandato; e o risco de perder e por cima também ter deixado a indicação para seus correligionários sertanejos que o projeto principal é a prefeitura de Araripina.
Afora isto, Lula Sampaio indica que vai lançar a filha Camila na disputa pela prefeitura. Nunes Rafael, o independente sempre, também já sinalizou que vai para o embate. Na esfera  oposicionista ainda há a 'novidade' chamada Dr. Aluísio Coelho, que também apoiou a presidente Dilma. Ou seja: O palanque de Dilma e Armando Monteiro está rachadíssimo na terra do gesso.

AS RACHADURAS DA SITUAÇÃO
Valmir Filho é candidato a prefeito de Araripina desde que o pai, a mãe ou ambos, lhe deram este nome. Alimentou o projeto e entrou na disputa real pelo executivo  quando abdicou da candidatura em 2012 para ser vice de Alexandre Arraes.

Bringel Filho guarda a mesma particularidade de Valmir Filho, com a diferença de ser bem mais novo e de seu pai Bringel ter sido prefeito bem depois de Valmir Lacerda. Como se pode ver, os dois pré-candidatos a prefeito são filhos de ex-prefeitos, com uma singularidade: O pai do mais novo foi também vice do pai do mais velho, que por sua vez também foi vice de Valdeir Batista.

Valmir Filho não foi vereador. Bringel Filho é vereador. O primeiro é vice atualmente; o segundo lutou para ser indicado. Aí começam as diferenças, erros e acertos, que podem, ou não, dizer alguma coisa, se é que a escolha harmoniosa do candidato, ou o racha definitivo do grupo situacionista, passa necessariamente pelos dois.
Ao que tudo indica, não há mais no tabuleiro da disputa local aquela pessoa que chega com um patuá de dinheiro e se autoproclama candidato, resolvendo todos os 'problemas' que surgirem desta hora em diante. Também não há mais um Eduardo Campos.
Socorro Pimentel, na 'moita, esperando o racha da situação para se definir


Bringel Filho lutou para ser vereador. Agora luta para ser presidente da Câmara ou apoiará qualquer um que se lance contra Luciano Capitão, dentro do grupo - dizem fontes, não ele.
Pelo enunciado, nem precisava informar que Bringel Filho ainda é uma jovem promessa. Fosse ele um nome já consagrado - e poderá ainda ser-, não teria disputado a eleição da câmara e sim se resguardado para ser candidato a deputado e, sem sombra de dúvida, sido eleito. Bastava ter se filiado ao PHS ou qualquer sigla menor, aglutinado o grupo e, nem querendo, Roberta Arraes teria sido candidata.  Eduardo Campos não teria como dizer a Bringel  que o filho dele era obrigado a adiar seu projeto.  Não sendo vereador, hoje Bringel Filho poderia ser deputado estadual. Certamente em jogo acertado em 2012, envolvendo Alexandre Arraes, Bringel pai, Valmir pai, Valmir Filho e candidatos a vereador que perderam votos e até vagas com a sua entrada na disputa pela câmara. Quem no grupo seria contra?
Bringel Filho, segundo se fala - ele não, está na disputa pela presidência da Câmara de Vereadores. Até onde se tem conhecimento, projeto de Lei virou Lei municipal dando direito a reeleição para a mesa já na atual legislatura. Não se tem conhecimento que algum dos vereadores apresentou emenda propondo que o atual presidente não fosse beneficiado pela Lei que a Casa Joaquim Pereira Lima aprovou. Sendo assim, Luciano Capitão é candidato natural dentro do grupo, independente de acordos anteriores. Estes perderam valor com a nova Lei. Pode-se dizer, com isso, que o grupo está rachando por algo inexistente, impensável. Ou, com outras palavras, que Bringel Filho está, mais uma vez, limitando seu ângulo de manobra para voos mais altos, até mesmo o de deputado estadual mais adiante. Mas, certamente, ou provavelmente,  não está.
Lula Sampaio deverá lançar a filha Camila para manter espólio.

É para valer o que se fala? Ninguém sabe. Provavelmente Bringel (pai) ainda não chegou para acalmar os ânimos. Se assim tivesse feito, certamente já teria chamado dona Odete, mãe de Luciano, para tranquilizá-la: "Tudo será resolvido, afinal, sempre fomos um só corpo'. Bringel ainda sabe jogar. Não duvidem disso. Lutar por uma eleição perdida de presidente da Câmara certamente não é jogo do qual ele participa de forma direta. Dividir o grupo, assim, dessa forma, jamais o faria, a menos que outras razões o movam desde já ou desde antes. O mais provável é que, sendo quem é e tendo o passado que tem, o peso e a responsabilidade, chamará os colegas de Bringel Filho para um arranjo definitivo a fim de salvar o grupo de racha que se mostra inevitável.
Alexandre Arraes: Quanto mais candidatos disputando, melhor para o seu escolhido.

Bringel ainda tem força para eleger prefeito, para eleger vice ou para eleger deputado em chapinha bem montada. Certamente não vai provocar implosão de um grupo que ajudou como poucos a montar para transformar em gravetos, como está a oposição - ficando ele, também, restrito a isso.
De qualquer modo, quanto mais candidato sendo lançado em 2016, melhor será para o prefeito eleger seu sucessor. Resta saber se Alexandre Arraes está interessado em juntar cacos antes que eles se espalhem. Por falar nisso, quem andará passeando como candidato preferido na cabeça do prefeito?

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