quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Araripina 2016: Chegou a hora da onça beber água no grupo de Alexandre Arraes


O prefeito de Araripina, Alexandre Arraes (PSB), apesar de enfrentar dificuldades para visitar e acompanhar de perto o canteiro de obras que abriu e continua abrindo por todo município, e de ter conseguido entregar em tempo recorde uma perimetral reformada e ampliada e uma estrada asfaltada para Rancharia, assim como ser responsável direto por obras como a UPA que se inicia e o Centro de Hemodiálise que está perto de ser concluído, AMARGOU uma derrota eleitoral e política em Araripina. Não só ele, como todo o seu grupo. Com um diferencial: O resultado das urnas apenas acendeu o sinal amarelo no QG do prefeito, que continua no comando do maior município da região e continua contando com o governo do estado para trabalhar por mais dois anos provavelmente no mesmo ritmo. Já não é isso o que acontece com outras lideranças do mesmo grupo e da oposição, severamente avariados pelo resultado das urnas. Estes, pelo que se desenha, terão que procurar um dos lados - o de Alexandre ou o de Socorro Pimentel para declarar adesão desde já.

TRAIÇÃO OU RECADO
Alexandre Arraes está trabalhando e até seus mais severos críticos reconhecem. Alexandre Arraes não faz política e nem ele mesmo nega isto. Seus defensores alegam que no atual momento é preciso fazer escolhas: "trabalhar direito ou fazer politica". Aparentemente, o prefeito de Araripina precisa recorrer à cartilha de Eduardo Campos para aprender a conciliar as duas tarefas. É certo que, para dar visibilidade à esposa, que seria e foi candidata a deputado estadual, abriu espaço para que ela transitasse bem por todas as secretarias e por todos os recantos. É provável que tenha avaliado que 'sumir' para que Roberta aparecesse seria a fórmula para torná-la candidata competitiva. Teria acertado em cheio caso não tivesse recebido uma das duas opções aviso do grupo: "Traição" ou "Recado". Basta fazer  a soma dos votos dos candidatos a deputado federal que dobraram com Roberta para conhecer em profundidade o tamanho do estrago que os dois ingredientes políticos representaram para as pretensões de Alexandre e de Roberta.
Enquanto a primeira-dama atingiu a marca de 14.691 votos em Araripina, os principais candidatos a deputado federal com quem dobou em no município obtiveram 20.066 votos. A saber:
Nunes Rafael:            9.079
Creuza Pereira:          3.960
Betinho Gomes:         2.710   (apoio de Bringel)
Gonzaga Patriota:      2.077   (apoio de João Dias e Maria Francisca)
Wolney Queiroz:           854   (Apoio de Boba Sampaio e Leonardo Farias)
Tadeu Alencar:              561  (Apoio de Dr. Zé Alencar e Iveraldo Nascimento)
Jarbas Vasconcelos:      449   (apoio de Ronaldo Lacerda)
Luciana Santos:             383   (apoio do Vereador Doval)
TOTAL:                   20.066 VOTOS.

Some-se a isso um outro componente político explosivo: Muitos votos dados a Jorge Corte Real foram cruzados com Roberta, via apoio de Valdeir Batista. Outros votos dados a Adalberto Cavalcante e a candidatos a deputado federal evangélicos ou policiais também foram cruzados com Roberta. Isto, em tese, amplia a desvinculação dos votos dados a deputados federais que fizeram dobradinha com a primeira-dama, aumentando a complexidade do componente
TRAIÇÃO/RECADO.

A mesma resposta ao componente explosivo se obtém facilmente realizando a subtração dos votos de Socorro Pimentel dos dois candidatos a deputado federal que dobraram com ela: Luciano Bivar e Fernando Filho. Simples: Enquanto a médica atingiu 16.249 votos, os federais que dobraram com ela só conseguiram 7.185 votos. A diferença fecha perfeitamente com o resultado da soma de TRAIÇÃO + RECADO.
Acompanhe o raciocínio:
Luciano Bivar:    5.677 votos  (apoiado por Socorro Pimentel e três vereadores)
Fernando Filho:  1.505   votos (apoiado por Evilásio Mateus)
TOTAL ............ 7.185 VOTOS.

(Votos Socorro - Votos de seus dois federais em Araripina).... (16.555 - 7.185 = 9.370 votos)
Portanto, 9.064 votos é a diferença entre os votos obtidos por ela em relação aos votos obtidos por seus dois candidatos a deputado federal.

VOTAÇÃO PARA DEPUTADO ESTADUAL

VOTAÇÃO PARA DEPUTADO FEDERAL


(Votos federais de Roberta - Votos de Roberta) ...... (20.066 - 14.691 = 5.375). Levando em conta as margens de erro do IBOPE e Vox Populi, houve um empate técnico entre componente TRAIÇÃO/RECADO e diferença de votos dados a Dra. Socorro versus seus candidatos a deputado federal. O fato é que Roberta nem precisaria dos votos prometidos e não dados em Salgueiro para ser deputada eleita. Bastava que 60% dos que lhe traíram ou mandaram recados dentro do próprio grupo tivessem desabafado ao pé do ouvido ou por meio de mensagens, preservando as urnas. Com 18 mil votos em Araripina Roberta seria deputada. Foi o que eu sempre disse e alertei Alexandre e seus filhos. Eles sabiam disso, mas nada conseguiram fazer para evitar o mal que se abateu. Esperavam que Salgueiro e Bodocó curassem a ferida/lacuna aberta em Araripina. Também falhou por lá.

HORA DA ONÇA BEBER ÁGUA
Em termos quantitativos, é bem provável que o maior número de votos cruzados tenha saído da soma de votos de Nunes Rafael, já que foi o mais votado no geral e sobretudo dentro do grupo de Roberta Arraes. Em segundo lugar vem Betinho Gomes, em terceiro Gonzaga Patriota, em quarto Wolney Queiroz, em quinto Tadeu Alencar e em sexto Jarbas Vasconcelos. Leve-se em consideração que os votos dados a Jarbas Vasconcelos são de pessoas independentes que não compõem o secretariado de Alexandre Arraes tampouco eram a sua porta para pedir ajuda ou recursos para fazer campanha -  ao contrário disso, ajuda foi oferecida e efetivamente dada.
O grupo do prefeito Alexandre Arraes é composto por 10 vereadores, um deputado estadual, três ex-prefeitos e muitos ex-vereadores, vices e suplentes de vereador. É com esse exército que ele vai ter que conversar e se entender.

PÉ NO PESCOÇO
Muita gente vai cobrar espaço e alegar que a maior parte da equipe montada por Alexandre Arraes não tem voto nem nunca terá. Olhos grandes serão dirigidos a pastas estratégicas e gordas, sobretudo saúde e educação. Alexandre terá que levar tudo para a peneira a fim de separar verdades e mitos.  E terá que decidir sem perder o juízo. Só a ele caberá a decisão. Saber quem lhe impõe desgastes sem recompensar com trabalho diferenciado.... etc, etc.
Mais do que isso, se, e quando decidir mudar a rota da nave para manter o poder no município, terá que ouvir e entender outras coisas valiosas. Por exemplo: O governo de Paulo Câmara será mais heterogêneo do que foi o de Eduardo Campos. Câmara certamente governará com uma gama maior de partidos, refletindo o que ocorreu na campanha. E nesta hora Alexandre terá que decidir: Vai ele sozinho com seu núcleo duro atrás dos investimentos estaduais ou verticalizará suas secretarias com base na estrutura que o futuro governador montará? Neste caso, terá que ver o que caberá a parceiros locais e estaduais, como é o caso do PSDB, por exemplo, e do PDT, aqui representados por Bringel e Boba Sampaio. Fará o mesmo em relação a outros parceiros locais que se afinam com lideranças estaduais e nacionais. Antes, porém, terá que arrancar a seguinte frase, publicamente dita e gravada, de seus parceiros locais:
"Eu faço parte do grupo de Alexandre Arraes e apoiarei aquele candidato a prefeito que ele escolher". E completar: "Só serei candidato a prefeito se ele me escolher".  Se isto não ocorrer, Alexandre corre o risco de encerar o seu mandato pior que Valdeir Batista: Dormindo com um candidato e acordando com outros. Ou acerta os ponteiros e vomita os sapos agora ou nunca mais o fará.  



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