sábado, 26 de julho de 2014

Com público mínimo e palanque reduzido, Armando Monteiro baixa o sarrafo nos ex-aliados, pede voto para dois candidatos a deputado de coligação ligada a Eduardo Campos e promete secretaria para o socialista Raimundo Pimentel.


Angu de caroço, diriam os mais antigos. Noite  e discursos infelizes, dirá qualquer um que esteve no comício que 'inaugurou' a campanha de Armando Monteiro no Araripe, na Avenida Agamenon Magalhães, em Araripina, artéria que homenageia o seu avô ditador, ex-interventor de Pernambuco . A foto fala por si só. O foguetório foi desproporcional e indica o gigantismo que permeava a mente dos organizadores antes que realidade se impusesse friamente. Os discursos desencontrados e carregados de rancor, quando não melancólicos, reduz o conteúdo final de um evento anunciado com pompa e circunstância por quase uma quinzena em carros-de-som, postagens nas redes sociais e entrevistas em emissoras de rádio.
Deixando a política local de lado, juntamente com os discursos já conhecidos de Dr. Raimundo e de sua esposa, Dra. Socorro, sempre paroquianos no trato de questões eleitorais- talvez uma tentativa de delimitar o espaço local em detrimento de Lula Sampaio -, ficou nítido que o senador Armando Monteiro desce ao nível mais baixo quando pega o microfone em defesa de seu projeto pessoal.
Propostas para o Araripe? Ficam para outra oportunidade. Canal do Sertão? A preferência foi livrar a pele da presidenta Dilma, que enrola na Transposição do São Francisco.  Emendas para Araripina e região? Armando Monteiro e Raimundo Pimentel preferiram atacar os ex-aliados que fizeram Adutora do Oeste e asfaltaram quase todas as estradas da região. Espremendo as falas, fica-se com algo semelhante ao tiroteio palestino em direção a Israel.
O destaque do palanque foi a ausência do ex-prefeito Lula Sampaio, um líder de massas que está ressentido com 'certas coisas'.
Entre os destaques da fala de Armando Monteiro, registra-se o seguinte: 1) Pediu votos de federal para Luciano Bivar que não é de sua coligação nem o apoia - prejudicando aqueles que esperam calda densa para garantir reeleição; 2) Pediu voto de estadual para Socorro Pimentel, que também não integra coligação proporcional que lhe apoia; 3) Falou mal de Paulo Câmara, criticando a mais justa, adequada e eficiente fórmula de arrecadar impostos que se tem conhecimento, fórmula esta que operou em Pernambuco o milagre da boa gestão (Armando precisa informar que vai deixar comerciantes pagarem imposto depois da mercadoria 'vencer' - junto com o atraso do pagamento de salários e compromissos do Estado); 4) Prometeu espaço no governo para Raimundo Pimentel trabalhar por Pernambuco e pelo Araripe, deixando claro que se trata de secretaria (saúde é o que espalham na rádio peão os aliados do deputado).

RESUMO DA ÓPERA
Se fosse possível resumir numa frase o que hoje aconteceu no palanque de Armando Monteiro em Araripina, a fase seria a seguinte: Se dirigindo para público reduzido e sem aliados históricos no palanque, empresário candidato que faliu banco fala mal de funcionário competente que revolucionou a administração do Estado de Pernambuco, promete secretaria para deputado de outro partido,  pede voto para empresário de outra coligação contrariando os candidatos proporcionais da sua chapa e não fala em construir o Canal do Sertão, fugindo dos problemas da gestão federal, que se arrasta com a Transposição e a Transnordestina.

COMPARATIVO DE PÚBLICO
Fotos não mentem. A de cima é a do evento de hoje, onde Armando Monteiro foi recepcionado pelo deputado Raimundo Pimentel. A imagem abaixo retrata a recepção feita a Paulo Câmara por Alexandre Arraes, no lançamento da campanha de sua esposa Roberta, no dia e na hora do jogo da seleção do Brasil contra a Holanda, num sábado à tarde.  Tirem suas conclusões.

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