segunda-feira, 30 de setembro de 2013

O nome do nosso candidato a deputado

Já está chegando a hora de o grupo que governa Araripina escolher o perfil do candidato a deputado estadual, para em seguida entregar ao prefeito e este, juntamente com o escolhido, percorrer a região e o estado atrás de apoios suficientes à eleição. Sim! Só se escolhe o nome depois de chegar ao perfil ideal para a atual conjuntura. Sim! Quem escolhe o perfil é o grupo. Ao prefeito cabe acatar e correr o mundo atrás de apoio e estrutura. Isto, contudo, não coresponde a dizer que o grupo vai empurrar espinha de peixe na garganta do prefeito, apresentando lista com nomes que não somam, que não têm estrutura nem histórico e sobretudo nomes que só querem entrar na disputa para se valorizar e se cacifar. O prefeito é o condutor e precisa ser respeitado na hora de apontar características indispensáveis para poder entrar de corpo e alma na campanha.

Esta é uma eleição bastante singular. É um pleito que vai pegar fogo não só no município, mas no estado e no País. É a primeira eleição, depois de muitas de deputado, que Araripina voltou a 'deitar na cama' com o governador e 'fazer a feira' no Palácio. Falo de ter prestígio, tudo no sentido figurado, e de conquistar obras, no sentido prático. Este casamento precisa continuar no pós Eduardo Campos.

O PERFIL
1) O candidato precisa gostar de fazer política, o que envolve acordar de quatro da manhã e dormir à uma da madrugada; precisa gostar de subir serra e afundar o pé na lama e em seguida na poeira;

2) O candidato precisa conhecer as lideranças regionais, líderes comunitários, estradas pouco movimentadas; precisa conhecer os problemas de cada lugar e as aspirações do povo; precisa bicar um copo de pinga ou uma cerveja quente e de má qualidade, tirando gosto com bacurim magro, com tiú, tamanduá ou tatu - sem fazer careta nem comentário jocoso, ou ameaça de chamar o IBAMA para se livrar da iguaria.

3)O candidato precisa ter potencial de 20 mil votos em Araripina e oferecer garantias de que conseguirá 30 mil votos fora da cidade, sendo mais 15 na região e pelo menos 5 mil na Região Metropolitna;

4) O candidato precisa ter muita inserção nas secretarias do estado e conhecer bem o nome de quem decide, para provar ao eleitor que o voto terá boas consequências e que não representa apenas o projeto de quem quer sair do Sertão para tomar banho em Porto de Galinhas às custas do nosso dinheiro e esforço;

5) O candidato precisa ser bem relacionado com o prefeito de Araripina e não um estorvo que só lhe apresenta problemas já conhecidos; e da mesma forma precisa ter bom relacionamento ou aceitação, seja com camaradas ou partidários no Araripe todo;

6) O candidato precisa está disposto a aceitar convite para aniversário de bêbado, de prostituta, sabendo que a festa é longe e que terá que chegar com uma lembrança e até com o prato pincipal. E também terá que aceitar convite para torneios de futebol onde o vento faz a curva e o jogador chuta para as núvens, isto em pleno domingo de repouso, e ao meio dia, certo de que depois de tudo será 'intimado' a pagar a conta da cachaçada para os atletas de plantão.

7) E, sobretudo, o candidato precisa gostar do nosso lugar, conhecer os seus problemas e ter boa noção das soluções, ter vontade de lutar por cada conquista e vibrar com elas; precisa entender de matemática para analisar custos de proijetos e planilhas; precisa entender de física para calcular a velocidade exata ou ideal das coisas; precisa entender de política para não se perder pelo caminho; precisa ser tolerante para não atropelar os críticos; e sobretudo, precisa saber ser xingado, transformando tudo em aprendizado, obras e resultados.

8) O candidato precisa ter compromisso de todo final de semana ou dias de folga na assembleia colocar o pé na estrada e vir visitar as bases e descobrir problemas novos para resolver.

8) O candidato precisa ser do partido do governdor ou muito alinhado com ele, para que as melhores lidenças que estão avulsas sejam induzidas a apoiar e trabalhar pela vitória. Pois de aventura o povo está cheio. Sim! Pois qualquer candidato apoiado pelo grupo pode passar de 15 mil votos na capital do gesso. Mas isto está longe de ser o bastante.

9) E, por último, o candidato precisa ter a estrutura mínima de campanha, que corresponde a um carro de som por distrito e vários nas sedes de cada cidade; farto material de campanha e 'combústível' para fazer a coisa andar rumo a vitória. Precisa ter grupo e rumo, e um projeto claro de dsenvolvimento para o Araripe.

PERGUNTA:
Quem é o candidato ideal? Quem é aquele que vamos escolher para sofrer por nós e ouvir nossos desaforos? Quem é que está mais preparado para fazer a política como infelizmente o nosso eleitor ainda exige e que ao mesmo tempo esteja preparado para lutar pelas conquistas que tanto reclamamos?

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Polícia Federal em Araripina

Ao contrário do que andaram pensando e espalhando, a Polícia Federal não esteve em Araripina levantando informações sobre políticos nem ex-políticos. Conceituado bancário da cidade esclareceu o assunto, afirmando que a PF esteve em missão de rotina. Todos os anos policiais chegam descaracterizados para testar a eficiência dos sistemas de segurança das agências bancárias, e inclusive apresetam Carteiras Profissionais falsas para testar o nível de eficiência dos seguranças.
Câmaras, sistemas de alarme, computadores, caixas, cofres, tudo é testado. O intuito é diminuir o índice de assalto aos bancos. Talvez vasculhem imagns, para cruzar dados e assim chegar a possíveis elementos 'estranhos'.

PORTANTO, quem estava se privando de usar o telefone já pode voltar a dar lucro às operadoras.

Dirceu deve aprontar

Quem acredita em boas intenções do manda-chuva petista Zé Dirceu, sobretudo em relação a Eduardo Campos, não deve conhecer bem o lado traiçoeiro do ex-guerrilheiro.
Por último, deram para informar que Dirceu e Eduardo Campos estão de bem, que até se encontraram.
Seria mais prudente esperar a punhalada ou uma enxurrada de problemas com origem nas trevas.
Não é por outro motivo que o neto de Arraes anunciou aos quatro ventos que não tem medo de cara feia; que não foi educado para ter medo. E não tem mesmo, o que não significa dizer que todos podem dormir o sono mais tranquilo tendo um furioso perseguidor (agora) livre do xadrez durante o período eleitoral com ferramentas na mão e ódio sobrando no fígado.

Cala que eu te escuto

O prefeito Alexandre Arraes continua calado sobre eleição de deputado. Prefere mesmo o silêncio sobre o assunto, certo de que a abertura do 'diálogo' agora encurta seu tempo para administrar.
Como cresceu junto com Ricardo, o irmão, e vive com Roberta dia e noite, sabe perfeitamente interpretar o silêncio deles. Daí, presume-se, prefere o silêncio de todos sobre o tema, pois de bronca para resolver ele está cheio.
Talvez não seja muito inteligente perguntar ao gestor sobre 2014 agora em qualquer entrevista.
Deixando claro: Este blog não perguntou nem ouviu nada do prefeito Alexandre Arraes para especular sobre candidaturas. Este é um tema que está na imprensa local e até fora dela. Portanto, postagem aqui sobre candidatura de deputado não significa que a fumaça clara está saindo na chaminé.

Limpeza socialista

O PSB começa a afastar da sua sala principal tudo aquilo que causa enjoo à campanha presidencial de Eduardo Campos. No Rio de Janeiro já houve a degola do presidente do diretório estadual e no Ceará os irmãos Gomes foram convidados a se retirar.
Para o lugar do intempestivo governador Cid deverá chegar alguém com peso eleitoral. Poderá ser a ex-prefeita Luiziane Lins, do PT, aquela mesma que enfrentou Dilma e Lula e chegou lá.
E acontecer aliança com Tarso Jereissatti (PSDB), candidato a senador, ou mesmo mais à esquerda, com o senador Arruda, do PC do B, vez que a preferência da cúpula petista é pelos peemedebistas.

Ricardo Arraes anuncia obras. É o candidato?


Se dependesse da desenvoltura do empresário e assessor do governador Eduardo Campos nos meios administrativos locais, não restaria mais dúvidas: Ricardo Arraes é o candidato a deputado estadual do prefeito Alexandre Arraes. Hoje esteve concedendo entrevista de rádio e também na Secretaria de Desenvolvimento Rural, onde articulou a vinda do secretário estadual da pasta correspondente.

OBRAS
Além de sete sistemas simplificados de abastecimento, Ricardo anunciou a construção de duas barragens com média de 350 horas máquina. Se fazia acompanhar do líder do governo na câmara, vereador Edvaldo e também do vereador pelo PC do B, Doval Batista. E, claro, acompanhado também da mulher que divulga tudo, a secretária de imprensa e 'faz quase tudo' Ana Abrantes. Esta esteve na 'sala de reboco' vendo as condições do local para receber a ilustre visita do secretário estadual de Agricultura.

CANDIDATURA
No início do ano o prefeito Alexandre 'brecou' o debate interno sobre candidaturas. Com isto, Brenno Ramos mergulhou. Ricardo fez diferente: Por ser o responsável (legal) pelas obras estaduais, colocou a cabeça ainda mais de fora, restando como nome quase único na pré-disputa. Outro nome (também) sempre citado é o da primeira-dama Roberta Bertino, cogitada para deputada federal. Isto daria a entender que a chapa RR pretensamente defendida por Eduardo Campos seria Roberta e Ricardo, mas não é. O outro R seria o de Raimundo.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Ford no ataque

Nos últimos dias a clientala do Restaurante Portal da Cidade foi surprendida com exposição de veículos novos e inovados da Ford. É a americana reagindo em Araripina por veio da Avel. Em Recife o jogo também está sendo pesado. Pelo visto, a reação dos americados está em curso e para mostrar resultados gigantescos. Isto, depois que os asiáticos chegaram com a força prometida e não cumprida nos anos oitenta pelos russos.
A Ford tem fábrica na Bahia e a Fiat, marca italiana, está abrindo uma unidade fabril em Pernambuco.
Logo, e não demora, a 'nação' nordestina, mais consciente, vai exigir uma fábrica de cada marca instalada na região para abrir o bolso e garantir a preferência. É justo, pois só a industrialização com seus valores agregados traz emprego e a dignidade que a bolsa família está conseguindo tirar de milhões de nordestinos.

Professor vai virar empresário no ramo de ótica


O professor João Muniz vai virar empresário. Está começando a construir uma grande ótica, inclusive com laboratório próprio e alguns andares àcima, em local central da cidade de Araripina, onde hoje funciona um posto de lavagem e estacionamento privado, de sua propriedade.
João gosta mesmo de espalhar luz pela terrinha. Depois de transmitir conhecimento no na região, ensinando cálculo e também criando consciência crítica em centenas e até milhares de alunos da FAFOPA, agora JOÃO se prepara para espalhar 'luz' nos olhos de muita gente. Hoje em dia é raro encontrar um professor na região que não tenha aprendido cálculo e outras coisas de valor com o mesmo. Muitos, inclusive, são secretários região à fora ou ocupam cargos de destaque, seja no setor público, seja no setor privado.
Um dia, quem sabe, a câmara municipal ainda vai criar medalhas de honra ao mérito para serem conferidas com critérios, na área de educação e cultura. E o professor João, assim como sua irmã, professora Lali, serão reconhecidos. Eles e tantos outros que abriram a mente de parte do povo do Araripe nas faculdades e escolas da vida.
Seria muito incômodo ver o reconhecimento chegar antes, através de alguma câmara de vereadores da região. Mas isto não está descartado.

MERCADO EM EXPANSÃO
João Muniz é tio de três médicos, dos quais dois especialistas em oftalmologia, ambos com doutorado em São Paulo. São eles: Dr. Francisco Eudes e Dr. Alfredo José. O mais novo, Dr. Paulo, também se inclina para a oftalmologia.
Com o avanço da tecnologia neste setor e com o corpo clínico que dispõe, Araripina já precisava mesmo de uma ótica com laboratório próprio nas mãos de gente muito criteriosa para prestar serviços rápidos com a agilidade que o consumidor exige.
Já temos boas e conceituadas óticas na cidade, mas uma de grande porte com laboratório de alta precisão ainda não.

CASOS RAROS EM ARARIPINA

Apenas dois casais de Araripina formaram todos os filhos em medicina. A família de Professora Lali, irmã de João Muniz, sendo que este intercedeu como uma espécie de segundo pai quando Alfredinho partiu da terra.
O ouro casal é Dionéa Lacerda e Valmir Lacerda, que juntos formaram os filhos Valmir, Ryan e Valdemiro, fundadores da Uniclinic, e caminha para formar a quarta, Neyara.
Só quem entra nessa luta conhece de perto as dificuldades. Luta que deveria ser obrigação de muitos, desde cedo, para evitar que médicos estrangeiros fossem apresentados ao dileto público como solução para a falta de estrutura de saúde nos rincões deste país.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Evilásio e oposição seguem apoiando Fernando Filho, mesmo sem Codevasf.

CLIMA AMENO: Sitonia vista na entrega de Título de Cidadão prevalece. Situiação e oposição devem marchar juntas em Araripia e quase todo estado no apoio ao projeto de Eduardo Campos. Na foto, líderes de oposição e situação, Evilásio e Edvaldo, comungam o mesmo sentimento que continua prevalece no pós entrega de ministérios.

O vereador pelo PDT e líder da oposição em Araripina, Evilásio Matheus, mesmo reforçando que tinha preferência pela ida de Fernando Bezerra Coelho para o palanque de Dilma, assegura que está garantido o apoio à reeleição de Fernando Filho para a câmara federal. A decisão, segundo afirmou, é coletiva. Isto implica dizer que tanto o líder da bancada de oposição quanto os demais vereadores que se opõem ao prefeito Alexandre Arraes (PSB), em Araripina, respeitarão o acordo político feito antes com o grupo de FBC, quando pré-acertaram apoio ao deputado federal Fernandinho e à candidatura do (então e ainda ministro) da Integração Nacional a governador do estado. Integram a bancada oposicionista, além de Evilásio, os vereadores Genival da Vila, Luis Henrique e Aurismar Cordeiro.

PRIMEIRO DA FILA
Evilásio Matheus avalia, assim como outras lideranças, que Fernando Bezerra passou a ser o primeiro da fila para sair candidato palaciano ao governo do estado. Também deixa claro que o apoio a ele é automático, fazendo ressalvas a outro nome que possa surgir: "Depende do tratamento", confessa. "É claro que serão sempre bem tratados", repercutiu uma liderança governista, que entende o vereador mas afirma que sempre houve cordialidade e apoio por parte do governo estadual, em qualquer secretaria.

DESDOBRAMENTOS NA REGIÃO
O Meu Araripe está em 'campo' para aferir as consequências da perda de poder de FBC na Codevasf. Pelo menos em Araripina, segundo avaliou o líder do grupo apoiador, as consequências da entrega de cargos foram nulas. Este grupo acredita que Fernando Bezerra será candidato e eleito governador de Pernambuco e que no futuro haverá farta colheira eleitoral em virtude da lealdade. Era essa também a lógica caso o petrolinense rompesse com Eduardo Campos: A CODEVASF seria garantia de muitas obras agora e no futuro, caso Dilma conseguisse se reeleger.

RESUMO
Eduardo Campos começa a fazer estragos nó esqueleto político que dava sustentação eleitoral a Dilma e PT em Pernambuco. Esta situação se repete em vários estados do Nordeste e também do Norte, onde há dependência maior das diversas alas políticas em relação ao poder central. O PSB montou 'esqueletos' e engenharias capazes de fazer a travessia. Para isto, até com o PSDB faz interface. Não devemos esquecer que Miguel Arraes foi atrás de Antônio Farias para lançar a senador e Paulo Coelho para vice, e assim vencer as eleições estaduais na volta do exílio. O raivoso Lula copiou o gesto puxando o vice José Alencar para parecer confiável e também vencer. Deu certo nos dois casos. Quem viver verá o que pretende e conseguirá fazer o neto de Arraes, o aluno que se criou tomando café e jantando com o mito pernambucano.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

FIM DE CASO: Depois de dez anos, acaba o casamento de Eduardo Campos com o PT

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e a presidente Dilma Rousseff Foto: Hans von Manteuffel / O Globo


O Meu Araripe antecipou este rompimento em 2010. Não convém agora narrar os fatos outra vez.  Fiquem com a narrativa do Sistema Globo.

Ao final, o nosso comentário.

Rompimento do PSB com o governo irá além da entrega de cargos, diz Campos

BRASÍLIA. Foi feito um strike e todos os pinos foram derrubados. Essa foi a imagem usada ontem à noite, em encontro com aliados mais próximos do PSB, pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos, para explicar que o rompimento que hoje será anunciado de uma aliança de 10 anos e nove meses com o PT não se resume a simples entrega dos cargos na Esplanada. Para ele, para evitar uma confusão na cabeça do eleitor, é preciso ficar claro que o PSB está deixando o governo, não é mais governo e agora vai ser solidário e apoiar apenas no que for de interesse do pais.


Campos fez questão de cumprir o ritual de comunicar a decisão ao ex-presidente Lula, sem deixar espaço para pedidos de reconsideração. A conversa, antes da oficialização, foi uma deferência a Lula, pois Campos não queria que o ex-presidente soubesse da decisão por outros meios. Também conversou com o secretário especial da presidente Dilma Rousseff, Giles Azevedo, e expôs o que será oficializado agora de manhã em reunião da Executiva nacional do PSB. Mas um encontro vai depender dela.

Na conversa de ontem à noite num jantar que entrou pela madrugada, ao lado da esposa, dona Renata, que o acompanha neste momento mais delicado, Campos tranquilizava os aliados quanto à possibilidade de uma reação mais irada da presidente Dilma e do PT: “Não fui educado para ter medo. Fui educado com valores, para ter responsabilidade”.

Os socialistas comemoraram o que chamaram de “importante sentimento de liberdade” depois de um ano de constrangimentos e cobranças por parte do PT, PMDB e do Planalto. Consideram que os conselheiros de Dilma avaliaram mal e foram surpreendidos pelo desembarque neste momento. Mas não acham que haverá uma revanche, pois a ala liderada pelo ex-presidente Lula ainda espera uma aliança de apoio a Dilma num eventual segundo turno em 2014.

— Este é um momento de redução de danos. Acho que vão criar mais juízo. O presidente Lula já tinha avisado e não lhe ouviram: ‘não cutuquem Eduardo porque esse aí eu conheço’. Ele queria fazer a coisa de forma amigável, deixando passar o prazo de filiação partidária para conversar — comentou Eduardo na conversa de ontem à noite com os interlocutores.

— Combinaram mal. Não esperavam o rompimento com o PSB agora. Mas saímos na hora certa. Esperamos a presidente Dilma ficar forte de novo, depois da queda de junho. Agora ela está tão forte que está até brigando com o Obama — brincou o líder do PSB na Câmara, deputado Beto Albuquerque (RS).

E agora, qual será o próximo passo? Campos não teme um ataque maior do PT e do governo federal aos governadores do partido ou aos eventuais apoios que vêm sendo costurados em sua pré-candidatura a presidente em 2014. Acha que chegou a hora de todos os atores, dentro e fora do partido, inclusive os irmãos Ferreira Gomes, “botarem as fichas que têm na mesa”.

— Não tem essa estória de preferir este ou aquele. Agora cada um tem que enfrentar a realidade como ela é — comentou Campos no encontro com os aliados, referindo-se, inclusive à preferência da presidente Dilma e do PT de ter o tucano Aécio Neves como adversário, e não ele.

Para “fazer tudo direitinho”, depois da reunião preliminar com integrantes da cúpula do PSB, Campos também se reuniu com o ministro dos Portos, Leônidas Cristino, para lhe avisar que a Executiva chancelaria hoje a decisão de entregar os cargos. Ao contrário do que se previa, o indicado dos Ferreira Gomes não se opôs. Disse que concordava, porque se sentia numa situação constrangedora de ser tachado como “adesista”, em contraponto com o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, da cota de Campos no governo.

De licença médica para realizar uma cirurgia no olho, em São Paulo, o ministro Fernando Bezerra fez os exames preliminares, mas retornará a Brasília hoje para participar da reunião da Executiva. Volta em seguida a São Paulo e, depois da cirurgia, cumprirá a tarefa de entregar a carta de demissão.

— Estamos todos aliviados de vencer essa etapa. O PSB é o primeiro partido, em 10 anos e meio de governo, que tem coragem de entregar os cargos e partir para seu projeto próprio. O próximo passo? Fazer o PSB crescer — comentou Campos, antevendo o pós-rompimento da aliança com o PT.


LEIA AQUI, no Meu Araripe, o desenrolar dos fatos.
Com a decisão de Eduardo Campos, o cenário ficará mais nítido dentro de alguns dias. Inclusive sobre as candidaturas locais. O que está em curso, em todo Brasil, é uma aliança entre partidos de oposição e mesmo governistas para enfrentar a máquina federal controlada por petistas. Com a força das máquinas estaduais e municipais que controlam, Eduardo, Aécio e Marina levarão a eleição para o segundo turno, segundo pesquisas atuais. Nos planos do pernambucano, ele será o segundo mais votado e enfrentará Dilma.  PSB e o PSDB, agremiações que precisam somar força nos estados para não sofrerem perdas de cadeiras nas assembleias nem no Congresso, montaram estratégias semelhantes e até conjuntas em alguns estados, tudo para tranquilizar lideranças e evitar fugas neste momento de turbulências que antecede a data limite para troca de partidos.

A CARTA
“À Sua Excelência Senhora Dilma Rousseff

Em mãos.

Senhora Presidenta,

Desde 1989, quando da criação da “Frente Brasil Popular”, o Partido Socialista Brasileiro integra, juntamente com o Partido dos Trabalhadores e outros do campo da esquerda, a base política e social que, durante as sucessivas eleições presidenciais de 1989, 1994, 1998 e no segundo turno de 2002, apoiou e, finalmente, levou à Presidência da República, o companheiro Luís Inácio Lula da Silva, cujo governo contou com nossa participação, colaboração e sustentação, no Executivo e no Parlamento.

Convidado a ocupar funções governamentais, nosso partido contribuiu para os avanços econômicos e sociais proporcionados ao país pelo governo do honrado presidente Lula, dedicando seus melhores esforços e sua total lealdade nos momentos mais difíceis dos oito anos de mandato.

Em março de 2010, embora contássemos com um pré-candidato à presidência da República e fosse desejo manifesto de nossa base e das lideranças do partido o lançamento de candidatura própria, o PSB, a partir de uma profunda reflexão e discussão política com o companheiro Lula, abdicou dessa legítima pretensão e decidiu integrar a frente partidária que apoiou a candidatura de Vossa Excelência à Presidência da República.

Quando da formação do governo, Vossa Excelência convidou-nos para discutir nossa participação, ocasião em que manifestamos a possibilidade de apoiar sua administração sem necessariamente ocupar cargos. Vossa Excelência, entretanto, expressou o desejo de quadros do PSB na administração, com o que concordamos sem apresentar condicionantes.

Neste momento, temos sido atingidos, sistemática e repetidamente, por, comentários e opiniões, jamais negadas por quem quer seja, de que o PSB deveria entregar os cargos que ocupa na estrutura governamental, em face da possibilidade de, legitimamente, poder apresentar candidatura à presidência em 2014.

Longe de receber tais manifestações como ameaça, o Partido Socialista Brasileiro - que nunca se caracterizou pela prática do fisiologismo - reafirma seu desapego a cargos e posições na estrutura governamental, e reitera que seu apoio a qualquer governo jamais dependeu de cargos ou benesses de qualquer natureza, e sim do rumo estratégico adotado que, a nosso ver, deve guardar identidade com os valores que alicerçam a trajetória política do nosso partido.

Nossas divergências, todavia, não impediram nosso apoio ao governo de Vossa Excelência, mas pretendemos discutir com a sociedade, de forma mais ampla e livre.

O Partido Socialista Brasileiro, nos seus 60 anos de presença na vida política nacional, jamais transigiu ou negociou suas convicções e seus ideais programáticos.

Com longa tradição na luta pela democracia e pela justiça social, o PSB participou ativamente de importantes momentos da vida nacional, como a memorável campanha do “Petróleo é nosso”, a luta pela reforma agrária, a luta pelas 'Diretas Já' e pela democratização do país. Sempre nos inspiraram exemplos como os de nossos companheiros João Mangabeira, Hermes Lima, Barbosa Lima Sobrinho, Evandro Lins e Silva, Antônio Houaiss, Miguel Arraes e Jamil Haddad.

É justamente pelo apego a essa história que o partido, nos últimos anos, vem merecendo o reconhecimento da sociedade brasileira refletido no seu crescimento nas sucessivas vitorias eleitorais.

Por todas essas razões, o PSB vem à presença de Vossa Excelência, formalmente, declinar de sua participação no governo, entregando os cargos que ora ocupa, ao mesmo tempo em que reafirma que permanecerá, como agora, em sua defesa no Congresso Nacional. Esta decisão não diz respeito a qualquer antecipação quanto a posicionamentos que haveremos de adotar no pleito eleitoral que se avizinha, visto que nossa estratégia – que não exclui a possibilidade de candidatura própria – será discutida nas instâncias próprias, considerando nosso programa e os mais elevados interesses do país e a luta pelo desenvolvimento com igualdade social.

Saudações Socialistas,

Eduardo Campos
Presidente Nacional do PSB.”