sábado, 24 de agosto de 2013

PAPEL

Fala-se muito na 'morte' do impresso em papel. Por ter sido editor/diretor de jornal por quase uma década, fico torcendo para que a mídia virtual não atropele a mídia impressa. Venho acompanhando os movimentos de cada uma e torço pelas duas. Esta aqui é mais ágil, barata, limpa, ecológica e também democrática. Mas ao mesmo tempo é impiedosa com os bons autores ou bons jornalistas que precisam de remuneração para realizarem trabalhos de oitiva, investigação e escrita. Antes mesmo de serem remunerados e até reconhecidos pelo que fazem e escrevem, são logo copiados e 'compartilhados', sem ao menos receberem o crédito nas inúmeras postagens. Talvez por isso a mídia impressa possa escapar e voltar forte, com mais qualidade e mais independência, dependendo tão somente de duas coisas: do talento de quem escreve e da assinatura remunerada de leitores conscientes que sabem a importância de um bom jornalismo.

O NOSSO IMPRESSO
Venho sendo estimulado a fazer novamente um jornal impresso, aos moldes do Voz do Sertão. Reconheço que as condições são boas, que o tempo é favorável. Já fiz as contas. Faltou uma coisa: tempo. E outra coisa: paciência para ouvir as fontes. Antes elas eram mais puras e verdadeiras.
Mas uma coisa é preciso reconhecer: O Araripe precisa mesmo de um jornal escrito com dimensão para alcançar a capital da  província e a capital federal.
Quando  afirmo que falta tempo para ouvir as fontes quero dizer que é preciso percorrer cada município da região para poder afirmar que o impresso é regional. Já fiz isso e sei o quanto é cansativo e caro. Um homem nunca substitui uma equipe, e equipe é o que sempre falta. Só não falta equipe na hora de dividir o pouco lucro. Talvez seja por isso que os impressos sofrem.
Fiquei sabendo que uma equipe se montou em torno da ideia de um jornal regional. Basicamente ela é composta de um homem que escreve, um homem com dinheiro e outro homem que sabe vender páginas. Há aí um sinal claro de que muita coisa boa vai dar certo e de que o impresso prevalece.
O Jornal Voz do Sertão começou como equipe e logo se transformou em coisa de um homem só. Quando o homem só abriu milhares de olhos e incomodou, logo foi emparedado e virou homem 'medroso', Por isso, o jornal deixou de existir justamente quando dava um bom lucro e era muito respeitado.
Digo isto para deixar claro que a independência embute um alto custo pessoal. Deve isto servir de base para reflexão dos incentivadores. Não basta chegar com a engenharia financeira pronta e bem detalhada. É preciso chegar com boas notícias, boas causas e sobretudo independência para futucar feridas crônicas.
Se já tenho uma resposta para dar aos incentivadores esta é: "Quem tem prazo não tem pressa!".
Bom final de semana.

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